A infelicidade profissional é uma das que mais me abala de tempos em tempos (como visto aqui), e é inacreditável a antítese que encontro em praticamente todos os meus empregos de um ambiente e colegas sensacionais para um lugar terrivelmente mal gerenciado, mal organizado e/ou mal planejado.
Meu emprego atual merece uma diferenciação de todos os anteriores por ser um escritório de arquitetura composto em sua maioria por jovens, todos bem sociáveis e comprometidos (talvez não todos) com o andamento da estrutura organizacional do ambiente como um todo. Cuido da parte financeira do negócio (gerenciamos a troca da marca de um banco que foi comprado por um gigante espanhol) e olha, devo dizer que em nenhum outro emprego passei por tanto estresse quanto por esse.
O lance todo é bem simples, o banco tinha um nome, vai passar a ter outro e para isso, existem adequações a serem feitas nas agências, estabelecendo um só padrão até o dia em que todas as agências do antigo banco passem a ser reconhecidas com a bandeira do gigante espanhol. Acontece que isso, internamente (não no meu escritório, mas na diretoria do banco), foi muito, muito, mas muito mal planejado.
O absurdo começa pelo seguinte: foi determinado que todos os ambientes públicos precisam ser adequados para deficientes, com rampas de acesso, piso tátil para cegos, máquinas de auto atendimento acessíveis, essas coisas todas. Então, o banco (que já havia sido comprado pelo gigante espanhol, mas não iam integrar-se até o momento) começou as adequações, contratando diversas construtoras, em todos os cantos do país e tudo estava indo bem, até que dois bancos rivais se uniram e começaram a ameaçar o gigante espanhol, com a promessa de ser um banco mais sólido e com uma campanha de marketing muito boa, que contou inclusive com um patrocínio a seleção brasileira de futebol, garantido até a disputa da copa de 2014, aqui no Brasil.
Fato é que essa fusão de concorrentes fez com que os planos do gigante espanhol sofressem alterações, e então, eles estabeleceram que iriam deixar todas as suas agências em um só padrão e que no "dia D", inicialmente previsto para 16 de julho, todas as agências do grupo ficariam com a bandeira do gigante, um esforço para tentar alcançar o sucesso que a fusão dos rivais alcançou, com muito mais visibilidade caso tudo corresse como o planejado, afinal, imaginem, em um só dia o número de agências de um banco aumentar em praticamente 50%?
Tudo corria bem no conceito mercadológico da coisa. O gigante espanhol agregou a seus valores muitas coisas das quais faziam com o que o outro banco fosse reconhecido como uma empresa sustentável e adotou padrões de relacionamento com o cliente baseado no que de melhor o outro banco tinha.
O problema é que desde então, nada mais saiu como planejado. Como essa adequação do padrão antigo para o padrão espanhol é gradativa (um pouco de cada vez), muita coisa que está sendo feita agora, poderia já ter sido feita quando as construtoras estavam adequando a agências para os deficientes. O que tem acontecido é: uma construtora chega lá, faz um serviço. Então, chega uma empresa de Comunicação Visual Externa e uma outra de Comunicação Visual Interna e retira todos os vestígios do padrão anterior, substituindo tudo pelo padrão a ser adotado a partir de agora. Na entrada da agência, uma lona (isso mesmo, UMA LONA!) com a marca do banco cobre a marca do gigante espanhol até que o tal dia D chegue.
Mas aí, entra em campo a gerenciadora (meu escritório) que chega lá na agência pra ver se tudo correu bem e descobre que as empresas de CVE e CVI deixaram pendências e então, desloca-se outra empresa para aquele serviço, que as vezes, continua mal feito. Enquanto isso, a lona instalada já caiu e mais uma construtora vai até o local, quebrar tudo o que a anterior fez para apenas uma outra adaptação para o novo padrão.
Na maioria das vezes, este é um trabalho mal feito, que eu mesmo já presenciei em várias agências por ai um serviço tosco, com objetos mal pintados de vermelho sobre verde, adesivos e lonas mal coladas e caindo, ou seja, todo o cuidado empreendido na integração comercial, tecnológica e mercadológica dos dois bancos vai pelo ralo ao apresentar agências mal pintadas, mal sinalizadas, com uma lona verde colada com silver tape em cima de uma placa vermelha.
Sem contar que os fornecedores são todos despreparados e nenhum é comprometido com os valores e a integração proposta pelo grupo para o qual prestam serviços, parecendo inclusive que alguns só estão ali para ganhar mais dinheiro do que já ganhariam fazendo o serviço bem-feito e corretamente, talvez pelo fato de que alguns destes fornecedores (pelo mal planejamento e pelo excesso de serviços e adequações a serem feitas) demorem as vezes até 90 dias para receber por um serviço executado e mal cobrado.
Só um desabafo. Mas que fique claro, planejamento é tudo.
Nem sempre o que parece a melhor solução sob o ponto de vista de impacto sobre o público e geração de mídia espontânea é realmente a melhor solução. Mesmo porque, algo dando errado neste ponto do processo, de nada adiantará todo o sucesso anterior, afinal, o visual do material é o mais importante aos olhos da sociedade, desde o carro do ano até a mulher mais bonita e gostosa. Passando pelo seu banco.


1 comentários:
eu também trabalho em banco que comprou outro e sei exatamente como é. tive o dia d e aguento as comparações e reclamações de clientes/antigos funcionários. mundo capetalista estrassante, ninguém merece!!
Arielle
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