quarta-feira, 22 de junho de 2016

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio 
 e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
 eu deveria escrever mais
eu deveria escrever
mais
eude veria escrever mais
eu devereia escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever
 mais eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
edeu veria escrever mais
eu deveria esxcrever mais
eu deveria escrever mais
e deu veria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria esxcrerver mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever amis
edeu veria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escrever mais
eu deveria escerever
mais eu deveria escrever mais
eu deveria escerver amais
edeu evrui escrever mauis
eu deveria escreve mais
eu deveria escreve mais
eu deveria escrever m,ais
esu deveria escrever mais

eu everiam escrever mais
eu deveria escrever mais ]
eu deverua escrever naus[eydeverua escrever naus[ey deveru ,,,

quinta-feira, 7 de maio de 2015

formula mágica da paz (2)

Sou da geração Y, a tal geração do milênio. Até outro dia mesmo, isso era bom. Cresci ouvindo que eu era especial, não só de meus pais, mas também de muitas outras pessoas que as vezes nem me conheciam direito. Sei também que não fui o único que cresceu assim, ouvindo isso semana a semana e por vezes acreditando que era verdade.
Hoje, tudo vai ficando mais claro e das piores maneiras possíveis. Éramos todos especiais a nossa maneira, mas também, é claro, somos de uma geração que nasceu antenada, cercada por uma globalização cada vez mais intensa culturalmente, vendo explodir diversas coisas novas em nossa frente com uma velocidade impressionante, isso até antes da internet se popularizar e assim, sendo formada por um turbilhão de coisas diferentes, pretensiosamente interessantes e no fim, caindo na real de uma vida sem sentido cercada por questões filosóficas retóricas.
De vez em quando surge uma matéria em algum jornal, revista ou site que diz "pesquisa revela que vida adulta começa aos 25 anos" e que me soa apenas como uma tentativa (frustrada) de consertar todo o erro dos pais da nossa geração, mas contraditoriamente, indo pelo mesmo caminho deles por justificar nosso amadurecimento tardio em comparação a outras épocas.
Nossas avós se casavam antes dos 18 e nossos avôs trabalhavam desde os 12 em lavouras ou coisas do tipo. Nossos pais precisavam namorar só de mãozinhas dadas um bom tempo até consumarem o fato e partirem para um relacionamento sério. Era um amadurecimento forçado, mas era um amadurecimento. Hoje entramos na faculdade aos 18 sem ter a mínima noção de carreiras profissionais, a não ser que tenhamos pais atuantes em carreiras que sejam atrativas. Saímos da faculdade com 22, 23 anos, atingindo o ápice da promiscuidade e da presunção, por sermos tão novos e ter um grau de bacharelado que nos faz sentir o especialista sobre qualquer assunto mesmo que não seja relacionado ao que estudamos, isso quando estudamos, não levando com a barriga semestre a semestre só em busca do tão famigerado canudo que no fim das contas, pouco representa.
Infelizmente, percebemos tudo isso da pior maneira possível. Somos filhos de uma geração protecionista que cresceu ouvindo histórias sobre imigração de refugiados, guerras mundiais reais e entrou na vida adulta na época da ditadura, com um terço da nossa liberdade, cercados por teorias da conspiração e afins. 
O lado bom disso tudo talvez seja que possuímos consciência de tudo que nos aflige e isso na teoria torna natural a nós querer ou ao menos tentar passar um futuro diferente para os nossos filhos.
Eu sou do fim da geração Y e vejo exemplos dessa consciência criada em preparar melhor nossos filhos através do que já vejo nos filhos de quem compartilha da mesma geração que eu, mas que são mais velhos. Estes, que estão agora entrando na faculdade, conhecidos como a geração Z, mas sem o glamour que foi colocado sob os millenials já nasceram no meio da turbilhão da globalização e lidam sim, muito melhor com os desafios da vida, por terem pais do início da geração Y, que chegaram as conclusões como as que cheguei, e por crescerem ouvindo destes sobre suas frustrações, como as por mim aqui descritas e assim, aprendem a enxergar a vida com uma visão um pouco menos utópica, talvez até, por ter acesso a tudo desde tão mais cedo dos que os Y's que começam a desenvolver sua própria personalidade individualmente e consequentemente mais rápido.
Usar a primeira pessoa do plural na maior parte deste texto talvez tenha sido um artifício inconsciente pra me sentir melhor. Talvez pra tentar me dizer mesmo que não fui o único a tomar decisões equivocadas até aqui...


terça-feira, 10 de março de 2015

formula mágica da paz

"Essa porra é um campo minado, quantas vezes eu pensei em me jogar daqui?..."

Sim, realmente essa porra toda da qual chamamos de vida é uma merda de um campo minado e se não tomarmos cuidado, cada passo explode uma nova bomba. Inúmeras vezes pensamos em jogar tudo pro alto em busca dos nossos sonhos, mas acabamos deixando pra lá ao lembrarmos dos pesadelos que eles podem se tornar e das certezas das quais nem sempre vale a pena deixarmos pra trás em troca de correr riscos que nem sabemos ao certo se queremos correr.
Uma das coisas que deviam ser ensinadas as crianças na escola (principalmente nas públicas) é que nada da vida adulta é o que parece, que nada será fácil e que mais iremos apanhar da vida do que qualquer outra coisa. Esta matéria poderia se chamar Realidade e deveria ser apresentada durante o ensino médio, naquela fase em que o adolescente tem a plena convicção de que o universo gira ao seu redor e de que tudo o que ele precisa fazer é desafiar e contestar tudo e todos a sua volta.
Acho que essa matéria poderia muito bem substituir química, física, biologia ou até trigonometria, porque não? Principalmente pelo fato de que muitas escolas públicas mal tem professores dessas matérias disponíveis, mas enfim, o que a sociedade de consumo que conhecemos espera da escola é que realmente ela desenvolva jovens cordeiros, que não contestem seus paradigmas e nem se interessem em saber como funciona o mercado, o sistema político e todas as outras coisas que fazem a grande engrenagem da qual fazemos parte funcionar dia a dia sem uma única interrupção. Ou vocês acham que existe outra explicação para no terceiro ano do ensino médio termos aulas de trigonometria e não de matemática financeira?
Entramos na vida 'adulta' sem saber nada sobre juros, impostos, política e civilidade. Se você tem estrutura familiar para aprender isso durante os seus vinte e poucos anos, ótimo. Caso contrário, boa sorte.
Crescemos achando que nos tornaremos adultos como um passe de mágica ao completarmos 18 anos e qual não é a nossa surpresa quando nos deparamos com as contas a pagar, com os custos envolvidos na manutenção de um lar, de uma família, na criação de um filho? Não a toa diversas pesquisas tem surgido nos últimos anos dizendo que na verdade a vida adulta começa por volta dos 25 anos. Não sei se essas pesquisas referem-se ao Brasil, mas pelo momento que o mundo vive, duvido que isso seja exclusivo de nosso país.
Enfim, esse pequeno texto demorou quase um ano pra ficar pronto e tem continuação...

"... Eu vou procurar, eu sei que vou encontrar..."

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

ao mestre com carinho

minha mãe é funcionária pública da educação, portanto, desde muito pequeno, sou acostumado com o ambiente escolar. comecei a frequentar a escola em que ela trabalhava com três anos e com quatro, eu já assistia algumas aulas de ginásio (na época, 5ª a 8ª série), ali no cantinho, na minha, só observando o que as professoras (geralmente de história e geografia) estavam ensinando, fazendo uns rabiscos e coisas do tipo. com cinco, já sabendo ler e escrever, frequentei a pré-escola. com seis, fui pra primeira série, estudando exatamente nesta escola onde minha mãe inclusive ainda trabalha.
quando eu estava naquela fase de decidir o que "ser quando crescer" uma das opções sugeridas pela minha mãe foi magistério, que no caso, nem existe mais. o argumento dela que, claro, não me convenceu, porém ficou fixo em minha mente durante todos estes anos foi de que ser professor é uma profissão que sempre vai existir e nunca vai faltar emprego, pois sempre haverá escola. você vê a força do sentido contido nesta frase quando percebe que a própria palavra profissão, que vem de profissional, tem a origem etimológica igual a de professor:

Do latim, PROFITERI, “declarar em público”, formada por PRO-, “à frente (dos outros)”, + FATERI, “reconhecer, confessar (sua escolha religiosa)”. Um derivado é, naturalmente, o substantivo “profissão”; outro é o verbo “professar”, qure tem o significado de “reconhecer publicamente, ser adepto de uma religião ou sistema”.

tá, não fiz magistério, nem pedagogia, pelo contrário, em uma das maiores burradas da minha vida, perdi todos os prazos de inscrições possíveis para bolsas de estudo e acabei ficando com última opção que havia escolhido, publicidade e propaganda. por mais que tenha adorado o curso e me identificado com a comunicação social não tinha o talento necessário para ser um redator, um diretor de arte, nem um profissional de planejamento, enfim, trabalhar em uma agência não era a minha. percebi isso no terceiro ano da faculdade, mas como já estava tão longe e titio Lula estava pagando minha faculdade, terminei o curso. com louvor, inclusive, tirando 10 na monografia.
no mesmo terceiro ano me ocorreu a ideia de ser professor. tive a sorte de poder ter professores muitos bons na faculdade (não todos, claro) e o modo como eles passavam seus conhecimentos e a desenvoltura para fazer isso para 40 jovens mais interessados em cerveja, sinuca, truco e pebolim do que em conceitos de marketing e teorias como a da agulha hipodérmica me encantaram.
claro que não seria fácil. não ia terminar a faculdade e sair dando aula, mesmo porque, ser puxa saco e dar monitoria, coisas que me ajudariam, nunca foram a minha praia. a ideia ficou em mim realmente como um plano a longo prazo.
até que, cheguei na pós-graduação. depois de milhares de dúvidas quanto a qual curso escolher, acabei partindo pro marketing. confesso que mais pelo desconto proporcionado pelo meu empregador do que por fé na profissão, mas enfim, é o primeiro passo pro tal mestrado, que me possibilitaria então, dar aulas.
na pós-graduação um novo mundo se abriu pra mim. com aulas específicas e professores que dominam ainda mais a já citada arte de despertar interesse em pessoas naturalmente desinteressadas minha vontade se aflorou e cada vez mais tenho dúvidas sobre qual tema escrever na minha conclusão de curso, preparando terreno para um mestrado nesta mesma área.
e o mais incrível e o motivo deste texto estar sendo escrito aconteceu neste semestre.
na primeira aula que tivemos após o recesso de meio de ano, estava eu conversando com uma menina que senta a minha frente, quando ela fala "o professor de agora podia ser louco né", quando não mais que de repente, olhamos para porta e está entrando um senhor todo grisalho, cheio de aparatos e meio atrapalhado. na hora nos entreolhamos e tivemos a certeza de que o desejo dela havia sido atendido.
pô, o cara colocava janis joplin pra tocar antes da aula começar!
com o decorrer das aulas, ele foi nos contando suas experiências e não sei se foi só comigo, mas todas elas me acrescentavam algo, como por exemplo, seu lado socialista meio desiludido, do qual me identifiquei bastante e em um certo dia ele disse que havia se tornado professor para ajudar seus alunos a não cometer os mesmos erros que havia cometido, ou algo do tipo.
ouvir aquilo em um momento cheio de dúvidas da minha parte, sobre amor, sobre amizade, sobre política, sobre carreira, entrou nos meus ouvidos como música. fez um sentido danado pra mim, que mesmo não tendo a idade dele, já tenho bastante erros cometidos, inclusive o principal deles, citado neste texto, aí um pouco mais pra cima.
não sendo o bastante, hoje enviei um e-mail para ele com uma dúvida e qual não foi a minha surpresa quando recebo um telefonema do próprio. como estava pelo celular e não tinha certeza se havia conseguido responder meu e-mail, preferiu ligar. detalhe: nem eu lembrava que minha assinatura de e-mail tinha meu telefone.
claro que aquilo pra mim foi o ápice da relação aluno-professor, até chegar a hora da aula.
passada a atividade proposta, que por sinal foi executada por todos com um empenho que até então eu não tinha percebido em sala de aula, ele decide fazer uma homenagem a classe. escolhemos os alunos que mais se destacaram na matéria e foi feito um sorteio do qual o escolhido ganhou um presente dele. um presente simples, mas com um enorme valor simbólico. ele então passou um vídeo cujo o nome era: "salvem as mulheres". outra porrada na minha cara. um vídeo exaltando as mulheres e "ensinando" como tratá-las, enfim, era um daqueles ppt's super bregas que a gente recebe por corrente, mas com um significado enorme, ainda mais pra mim, que costumo ter relações das quais geralmente a intensidade é muito grande e isso acaba fazendo eu cometer umas besteiras, deixar escapar momentos e pessoas incríveis e outras coisas (isso fica evidenciado pra quem ler alguns poucos textos deste blog).
depois da apresentação então, foi a vez dele se despedir, com lágrimas nos olhos e gerando aplausos sinceros de todos os presentes, causando uma comoção que eu nunca havia visto em uma sala de aula, TODOS os presentes fizeram questão de cumprimentá-lo e agradecer as aulas e principalmente as experiências passadas.
depois dos cumprimentos, ficaram ainda eu e mais uns cinco alunos para agradecer mais uma vez pelas aulas, quando ele, num arrobo de sinceridade e ainda chorando, nos evidenciou um fato de sua vida totalmente particular, emocionando muito mais aqueles que ali restavam.
resultado, saí da aula emocionado, com os olhos totalmente marejados e com uma cabeça totalmente diferente da qual tinha quando vi aquele senhor entrar todo atrapalhado na sala no primeiro dia de aula.
olha, devo dizer que foi algo que jamais esquecerei. se algum dia acontecer algo similar em minha vida, principalmente comigo no papel de professor, poderei dizer que cheguei a plenitude profissional e alcancei o meu objetivo.
obrigado mestre João Francisco de Toledo, pode ter certeza que eu quero ser exatamente como o senhor quando eu crescer.

ps: certamente quero que o senhor tenha ciência da existência deste texto, mas só enviarei para o senhor em um futuro próximo, quando a nota da matéria já estiver definida, afinal o único objetivo deste texto é agradecer.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

six feet under the stars

dia desses vai fazer um ano que não te vejo. pra ser sincero eu não tenho certeza, pois já estávamos distantes e muita coisa estava acontecendo também em minha vida, então, passo longe de conseguir ser preciso em afirmar realmente a quanto tempo não nos vemos.
fato é que faz tempo, bastante tempo. nesse quase um ano, ou pouco mais de um ano, aconteceu tanta coisa, mas tanta coisa, que se eu começar a te contar por aqui eu com certeza vou esquecer de muitas. tive notícias de que amigos nossos (ou nem tão amigos assim) encontraram você por aí, casualmente, em um metrô, em um ponto de ônibus, num shopping ou até em um protesto, veja só! quando isso acontece, parece que sempre fazem questão de me contar em detalhes como você está, sua aparência, se parecia feliz, tranquila, essas coisas. eu não faço questão nenhuma em saber disso, de verdade. e fico as vezes meio bravo em ver que as pessoas ainda não perceberam isso. e eu não faço questão por um simples motivo, prefiro não saber do que acontece, se está bem, se está feliz, se está conseguindo se virar, porque prefiro imaginar e acreditar que sim, está tudo bem, você está super feliz e conseguindo se virar maravilhosamente bem. assim, tudo fica mais fácil e sua lembrança, menos dolorosa.
você tem perdido tantos shows, tantas reuniões sem motivos, tantas conversas sobre a vida, sobre música, sobre política... imagino que já tenha notado, mas você não faz ideia de como estamos mais controlados. não vamos mais para a balada tanto quanto íamos dois anos atrás e quando vamos, costumamos voltar cedo, de carro mesmo, sem precisar do 493 pra nos levar até em casa. agora preferimos nos juntar em algum lugar, comprar algumas coisas (inclusive, as vezes chegamos ao cúmulo de ter mais comida que bebida) e pronto. não temos mais também o nosso espeto, mas isso você deve estar lembrada né? ele já estava fechando quando você ainda estava aqui... isso nos fez encontrar outro lugar para o nosso passatempo favorito, mas esse também não vai durar muito já que a UFABC tá ficando pronta e com isso seremos desepejados novamente e mais um milhão de coisas vão acontecer (como já tem acontecido), aí conheceremos novas pessoas, novos lugares e mais um ciclo vai começar e acabar e assim, sucessivamente, como é a vida.
você não faz ideia da falta que faz por aqui. tenho certeza que se pergunta isso, se lembramos de você, se sentimos sua falta, se gostaríamos que as coisas tivessem caminhado de uma maneira diferente, etc...
é impressionante, mas invariavelmente alguém lembra de você, o que costumava fazer em alguma situação, alguma coisa que gostava de comer, algo que costumava falar, seus trejeitos, suas manias, suas músicas... por falar nisso, nunca mais ouvi all time low, sabia? não me faz muito bem, o vini tá de prova. já evitei músicas específicas por causa de alguma ex, mas o que acontece comigo quando toca essa aqui ó https://www.youtube.com/watch?v=6O1SNe-1wXI é algo sem explicação. prefiro evitar.
eu não sei o que é ter um irmão (os meus não contam, tive pouquíssimo contato com eles) e não sei qual o sentimento que existe em relação a um, mas tenho certeza que é algo próximo ao que sinto por você.
enfim, você apareceu na minha vida em uma época de pura descrença e desapego com a vida, onde eu precisava muito de uma pessoa exatamente como você é e, no fundo eu sei que o que você está fazendo agora é algo parecido com o que fez em minha vida, para uma outra pessoa. eu só precisava de um empurrãozinho pra acordar pra vida, e você conseguiu. mas agora, parece que você vai precisar de muito mais força. não vai ser um empurrãozinho que vai resolver tudo, mas acho que você já percebeu né?
do fundo do meu coração, por mais que eu saiba que isso é difícil, espero que você esteja e seja muito feliz, do modo que quiser, onde quiser e com quem quiser. te digo mais uma vez, estarei sempre aqui e torço pro dia que você volte correndo pra gente dar risada disso tudo e relembrar quantas coisas boas já vivemos, quantas tardes a toa, quantos apuros em caminhos desconhecidos, quantos shows perdidos por aí, quantas viagens físicas e principalmente metafísicas e quantas risadas já demos simplesmente por estarmos em pleno contato com a felicidade, lembra dela?
lembra do dia do ibirapuera, que a gente achou que não íamos conseguir sair de lá? nunca dei tanta risada quanto aquele dia e olha, vai ser difícil chegar perto. e você, se lembra da última vez que riu até achar que ia enlouquecer?


segunda-feira, 13 de maio de 2013

despedida

só pra começar, queria deixar claro que isso aqui envolve muito mais coisa do que você pode pensar. este é um relato que demorou meses a ser escrito e que provavelmente, ainda não está pronto. por isso, serão facilmente encontradas contradições, absurdos e alguns delírios quaisquer no meio dessas linhas tão pensadas e tão pesadas. é importante dizer também que a nossa essência sempre permanece, por isso, pra quem me conhece tão bem, fica logo claro que nada se espera deste texto, que não passa de um simples desabafo de uma pessoa que tem o exagero como parte natural de tudo que se envolve. além disso, referências são sempre importantes, sejam lá quais e de onde venham, não é isso que faz com que duas pessoas sejam diferentes, pelo contrário, é isso que dá tanto assunto pra quem tem tão pouco em comum.
direto ao ponto: foram (e são, ainda) tantas coincidências, tantos detalhes, tantas perguntas sem respostas e tantas picuinhas movidas a erros de interpretação que eu fico impressionado como ainda tenho a capacidade de conseguir tocar nesse assunto, como ainda tenho tranquilidade pra saber que tudo passou e como ainda tenho esperança de ainda ter esperanças sobre algo que teoricamente, nunca existiu.
eu sempre fui naturalmente exagerado, já disse isso, e agora descobri que também sou previsível. ou, no mínimo, vendo por um lado positivo, que sou uma pessoa transparente, que não consegue esconder o que sente (isso eu já sabia, só não tinha levado por este lado da previsibilidade). fato é que eu sempre soube onde tudo isso ia chegar, até escrevi sobre. inclusive, escrevi que depois disso tudo eu seria uma pessoa melhor e realmente, foi isso que aconteceu. por mais que pareça o contrário, nossas muitas diferenças só fizeram me acrescentar, ver um monte de coisas que dificilmente eu veria e principalmente, me fizeram mais forte, mais preparado e eu arriscaria até um 'mais frio', mas essa expressão seria mal interpretada, então deixa ela pra lá. digamos apenas que você, minha Diana, nem precisou vestir seu uniforme de mulher-maravilha para praticar o seu maior ato de heroísmo possível. bastou ser você mesma. como diria Roberto Carlos...