Eu tenho muito orgulho da minha
cidade, e sempre tive. Questão de berço mesmo, nasci, fui criado aqui e posso dizer que conheço praticamente a cidade toda, sem se perder em talvez bairro nenhum.

Acho fascinante alguns aspectos de sua história, como por exemplo, a cidade ter sido fundada em abril de 1553, quase um ano antes da própria capital do estado. Também acho incrível
João Ramalho, o fundador de minha querida cidade ter chegado aqui antes de outros portugueses, ter se adaptado a vida dos índigenas que aqui vivam, inclusive casando logo com a filha do cacique Tibiriça, o manda-chuva da tribo e ter sido intermediário entre os índios, os jesuítas e os colonizadores que chegaram junto com a turma de Martim Afonso de Souza.
Depois de muito tempo, a cidade ficou conhecida, bem como toda a região do Grande ABC, por sua vocação metalúrgica, com indústrias em cada esquina e empregos para tudo quanto é lado. Isso, até a década de 90, quando as empresas foram embora para o interior em troca de impostos mais baixos, deixando no ABC um rastro de desemprego, que foi parcialmente remediado pelo comércio, que pode-se dizer, é o combustível da economia andreense nos dias atuais e agora, com o boom imobiliário, o que mais se vê são grandes condominios de alto padrão, que cada vez mais impulsionam a economia de minha querida cidade.
Temos o Esporte Clube Santo André, que atualmente disputa a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, e tá certo que o time está meio mal das pernas esse ano, mas em 2004, foi
campeão da Copa do Brasil, em cima do Flamengo, o que possibilitou uma melhoria na estrutura do clube e um investimento, ainda que tímido, nos esportes da cidade.
Se me perguntarem, respondo que Santo André é uma boa cidade pra viver, apesar de ainda ter muito o que melhorar, mas o que realmente me intriga é que minha cidade fica conhecida apenas por tragédias. Primeiro (que eu me lembre), a
morte do prefeito Celso Daniel, assassinado
brutalmente sob circunstâncias obscuras em janeiro de 2002. Depois, o
sequestro das jovens Eloá e Nayara, que como todos sabem, acabou de uma forma trágica. E ontem, ventos fortes formaram um mini-tornado que
destelhou casas e uma escola além de derrubar árvores em diversos pontos da cidade. Hoje, quando tudo parecia tranquilo, uma
explosão em uma fábrica de fogos clandestina devastou praticamente um quarteirão inteiro.
Acho que isso é zica! Não sei o que acontece com esse município, mas desse jeito, vou ficar com medo de sair de casa. Bem capaz de eu virar manchete qualquer dia desses, com direito a uma cobertura sensacionalista e informações desencontradas, como é bem praxe dos programas brasileiros nessa situação.